Paulo Bruna assina o projeto do novo teatro Cultura Artística

Com orçamento de R$ 75 milhões, edifício deve ficar pronto até 2012
Victor Martinez, Revista AU
Foi apresentado na sexta-feira, dia 19 de dezembro, o projeto do novo Teatro Cultura Artística, em São Paulo - que sofreu um incêndio dia 17 de agosto de 2008. O responsável pelo novo projeto é o arquiteto Paulo Bruna, do escritório Paulo Bruna Arquitetos Associados.
O espaço, que antes possuía dois auditórios, agora terá apenas uma única sala com 1.406 lugares divididos em dois níveis de balcões e nove camarotes em cada lateral. O prédio, que terá seu tamanho ampliado de 4.525 m2 para 10.500 m2 terá duas fases: a primeira é a construção da edificação com previsão de gasto de R$ 30 milhões; e a segunda, de toda a parte interna, com um custo por volta de R$ 45 milhões.
Para a concepção do novo projeto, houve uma interação entre todas as equipes da Sociedade Cultura Artística (SCAR), mantenedora do teatro, para que os primeiros traços já atendessem as demandas de todas as partes envolvidas. Um dos destaques da obra é o foyer mais amplo do que o original, que ficará embaixo da platéia. Nesse espaço será possível, além do acesso aos elevadores e duas escadas rolantes, a instalação de um grande bar com mesas, chapelaria e loja de CDs. Assim, o público circulará sob a platéia e terá acesso às duas laterais do teatro. Pequenos foyers estão previstos em outros andares para recepções particulares.
Um ponto interessante no novo teatro é a manutenção da distância entre o proscênio e a última fileira, apesar do aumento do número de lugares. Esse era um destaque do antigo espaço que a Sociedade Cultura Artística resolveu manter, dada a intimidade singular entre artistas e público, que se tornou uma das marcas do teatro.
No novo projeto, o palco terá formato italiano com 14 metros de profundidade e 25 metros de largura. Esse palco deverá dar suporte às mais variadas modalidades artísticas: musicais, danças, óperas (com orquestra no fosso, se necessário), peças teatrais e shows de MPB e Jazz. "Não é simplesmente uma sala de concerto, é uma sala multi-uso", explica Géraldt Perret, superintendente da SCAR.
O teatro possui ainda um andar com 12 camarins, ambulatório e salas de ginástica e aquecimento para os artistas em cartaz. E ainda outro andar, para o escritório do gerente de palco, técnicos de luz, som e palco da própria SCAR. José Augusto Nepomuceno, consultor em acústica e tecnologia teatral, destacou também o acolhimento acústico do novo teatro, que é diferente de uma "engenharia acústica cansativa".
A previsão é de que a obra termine em 2012 - ano do centenário da Sociedade Cultura Artística. A SCAR aguarda apenas a aprovação do projeto pelo Ministério da Cultura para iniciar a captação de recursos por meio da Lei Rouanet.

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